O iliberalismo de Bolsonaro enfrenta resistências

Participei nesta semana, mais precisamente em 16 de janeiro, do IV Encontro de Jovens Lideranças promovido pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP), debatendo o tema Liberalismo e progressismo no Brasil, numa mesa da qual participaram Leandro Machado, cofundador do Movimento Agora, como expositor, e Caetano Araujo, como moderador. É um tema complexo, mas extremamente importante e oportuno, especialmente para o momento em que estamos vivendo no qual há uma disputa clara no terreno do liberalismo e também uma aproximação interessante entre setores do “liberalismo político” e daquilo que se convencionou chamar de “reformismo pecebista”, ou seja, da linhagem do “comunismo democrático” que se formou dentro do PCB e depois do PPS (e também fora destes partidos), hoje Cidadania, partido à qual está vinculada a FAP.

Minha exposição enfatizou a necessidade de se conhecer profundamente tanto a grande transformação que marca a realidade histórica mundial quanto as diversas correntes do liberalismo existente no mundo atual e, em especial, as diferenciações entre o liberalismo econômico, na sua versão mais radical denominada como neoliberalismo, ou libertarismo (na versão anglo-saxônica) ou liberismo (na versão italiana).

A mesa de debates ocorreu na quinta-feira à noite precisamente no momento em que o agora ex-secretário da cultura do governo Bolsonaro colocava no ar, pela internet, o polêmico video com citações de Joseph Goebbels, chef da comunicação de Hitler, que lhe causaria sua demissão depois de forte reação da opinião pública. Desta forma, o episódio não poderia influenciar na discussão que foi realizada, mas é importante registrar que as avaliações do governo Bolsonaro, como se poderá ver abaixo, estiveram presentes.

Em seguida, reproduzo o relato da minha participação no debate feito pelo jornalista Cleomar Almeida. No site da FAP há também o link para acesso às exposições e ao debate que se seguiu (http://www.fundacaoastrojildo.com.br/2015/2020/01/17/bolsonaro-e-um-iliberal-diz-alberto-aggio-no-iv-encontro-de-jovens-liderancas/.

“Bolsonaro é um não liberal, um iliberal, no sentido contemporâneo”. A afirmação é do historiador e do diretor-executivo da FAP (Fundação Astrojildo Pereira). Alberto Aggio, que também é professor titular da Unesp (Universidade Estadual Paulista), disse que a oposição democrática tem a tarefa de impedir que o presidente estabeleça um novo regime político no Brasil. “A oposição tem de defender a Constituição de 1988. Depois de um ano de governo, está claro que Bolsonaro quer, e não pode, instituir um regime político iliberal no país”, analisou.

Na avaliação do historiador, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, representa um obstáculo para que Bolsonaro institua o novo regime político no país. Segundo o debatedor, Maia pode ser visto até como neoliberal, já que acredita nas propostas do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Aggio também disse que os partidos estão muito oligarquizados. “É preciso democratizar os partidos. No Brasil, as instituições públicas estão dominadas pelo corporativismo”, observou. Ele
também disse que, para conquistar coesão social, visão progressista de mundo, com cosmopolitismo, é necessário que se pense em termos de regulação.

“A regulação tem de andar em par com os interesses e liberdades da sociedade. Esse é o novo caminho que vai na direção do que chamo de esquerda democrática, que não tem nenhuma razão para deixar de dialogar com liberais progressistas”, acentuou o professor da Unesp.

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